Entendendo a Lei do PAN e as diferenças de níveis

Tempo de leitura: 5 minutos

A lei do pan determina a relação entre a posição da imagem aparente do som e a do controle panorama.

Isto refere-se à forma como o som se comporta quando ele é movido através do campo estéreo.

Entendendo a Lei do pan

Para entendermos melhor esta lei, primeiro precisamos entender o que é o botão PAN?

Botão de PAN

A funcionalidade deste botão de panorama é para dimensionar o quanto de sinal ter para o lado esquerdo, direito ou centro.

Este botão serve para balancear a mistura (mixagem) ao enviar o som dos canais para vias estéreo.

Poderíamos pensar no PAN como uma balança.

Estando equilibrada, indica que o sinal para os dois lados (L e R) tem a mesma quantidade. Pesando para o lado, indica que um dos lados recebeu mais intensidade.

Gosto muito da definição de balança, pois me lembra uma gangorra e não teria comparativo melhor pra se usar aqui.

A gangorra funciona subindo e descendo, pois se um lado tem mais, então o outro tem menos.

Por mais simplista que seja este pensamento, se você conseguiu captar, você entende onde quero chegar.

A diferença de níveis entre os lados na lei do pan

Tive ideia de fazer este artigo depois que chegaram vários comentários nas publicações sobre a Behringer X32.

Perguntavam: Por que visualmente ao mover o PAN para o lado, este lado sobe (ficando acima do que estava quando o panorama centralizado) e o outro lado desce?

Eu também já tinha recebido algumas vezes perguntas sobre panoramas.

Em um console existe a sensação de aumentar a intensidade ao virar este balanço para os lados, enquanto em outros parece não acontecer.

Incrível é que se tivemos uma boa base teórica, principalmente, na questão de fundamentos, isto fica fácil entender.

Eu não tive esta base, eu aprendi na prática e só depois de alguns anos eu vim entender que se a teoria não justifica a prática, alguma coisa de errado está acontecendo, por isto é tão importante estudar.

Este negócio de aprendermos na base da dor (erro e acerto) é muito ruim. Se aprendermos a teoria por trás, podemos achar caminhos diferentes para ter uma solução mais rápida.

O dobro em pressão sonora

Se tivermos um lado do PA com uma quantidade de caixas e amplificação de um modelo e do outro lado tivermos a mesma coisa (idêntico), podemos dizer que no total, temos o dobro da capacidade de um dos lados.

Digamos que estas caixas do lado esquerdo produza um som a 100dB SPL e como o lado direito é idêntico, também produzirá os mesmos 100dB SPL.

Na teoria, o resultado da soma desta pressão sonora terá o ganho de 6dB SPL. Ou seja, o dobro do som, idêntico, gera um ganho de até 6dB SPL.

Então, o exemplo acima, será 100 + 100dB SPL = 106dB SPL.

Acha que estou errado? Que o certo seria até 3dB SPL? Então, clique aqui para saber mais sobre SPL (Nível de Pressão Sonora).

A soma dos lados

Também vamos precisar entender como os sinais são somados ou divididos, dentro do equipamento, para dominarmos a Lei.

Se tivermos somente um canal e o panorama estiver centralizado, com os dois lados (L e R) recebendo 0dB, ou qualquer outro nível, o ouvinte ganha até +6dB SPL de soma em relação ao mesmo nível para cada lado independente.

Isto por causa da soma de duas fontes de sonoras conforme falado no exemplo 100 + 100dB SPL = 106dB SPL.

Ou seja, quem estivesse ao centro, receberia mais pressão sonora (até +6dB SPL) do que quem estava na frente de somente uma fonte.

Entrando na lei do pan

Para resolver este problema, foi criada a Lei do PAN.

Esta lei prevê que o canal quando enviado completamente para o lado esquerdo ou direito teria o nível máximo.

Já estando ao centro, este seria a intensidade reduzida por causa da soma das fontes.

Cada fabricante usa um valor para esta atenuação (e depende também do produto).

Lei_Pan_LeR
Virando completamente para os lados, teria o nível máximo, ao centro, teria redução (-3dB).

São mais conhecidas três versões da lei, a versão de potência constante (-3dB), a versão de compromisso (-4.5dB) e a versão de tensão constante (-6dB).

Existem fabricantes que utilizam no centro em 0dB e para as pontas uma soma de +3dB.

Alguns fabricantes também não inserem diferenças para a monitoração (após o panorama), sendo assim, ao fazer “SOLO” (CUE) acaba causando desconforto com a diferença de intensidade.

Passando batido

Algumas pessoas, muitas vezes, nem prestaram atenção nestas diferenças.

Normalmente, elas aplicam o panorama antes mesmo de levantar o fader e ouvir como o canal se comporta no centro e nas laterais.

Já durante a mixagem, elas acabam sendo pegos de surpresa, caso optem por mudar o balanço.

Outra forma que a lei prevê, é para sinal estéreo endereçado para sinal mono onde existe um ganho de +3dB.

Isto pode acabar causando erros de medição de pico para estes sinais (mono).

Nestes casos, alguns fabricantes inserem uma redução de -3dB ou -6dB. Como dito, não existe uma regra, vai de como o fabricante entende que é certo. A lógica é que a soma para um canal mono nunca tenha mais intensidade que qualquer outra saída.

Com isto, a maioria dos fabricantes adotaram o meio termo para consoles analógicas em 4.5dB de atenuação. Vários programas (DAW) dispõem da possibilidade de configurar os valores que deseja usar para lei.

Só acho lamentável não existir tanta atenção para isto nos manuais de consoles digitais.

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